Sem categoria

Primeira Republica

Resultado de imagem para primeira republica

A partir do marco da Proclamação da República em 1889 até 1930 temos um período republicano no Brasil, denominado Primeira República ou República Velha. Esse período é controlado pelas oligarquias agrárias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, fortemente ligadas à agricultura cafeeira.

Em variados momentos ocorreram pequenas particularidades administrativas como o governo de 1889 a 1894, dominado pelos setores militares envolvidos diretamente na proclamação da República, sendo chefe do governo provisório, o marechal Deodoro da Fonseca, que posteriormente assumiu a Presidência em fevereiro de 1891, em eleição indireta pelo Congresso Constituinte. Mais tarde, desfavorecido pelas críticas feitas no parlamento à sua política econômica e à sua atuação política em geral, Deodoro renuncia em novembro do mesmo ano, assumindo em seu lugar o vice, Floriano Peixoto, que usa o apoio popular para radicalizar a luta contra os setores monarquistas, acusados de conspirar contra o novo regime.

Posteriormente, a presidência ficou a cargo de governantes civis, como Prudente de Moraes, que governou entre 1894 e 1898, inaugurando a fase de sucessão de presidentes eleitos pelo Partido Republicano Paulista (PRP) – Campos Salles (de 1898 a 1902) e Rodrigues Alves (1902 a 1906) – e pelo Partido Republicano Mineiro (PRM) – Afonso Pena (1906 a 1909) e Venceslau Brás (1914 a 1918). Formado pelas oligarquias paulista, mineira e fluminense, o núcleo central do republicanismo controla as eleições, faz presidentes e domina o país.

A relevância abordada, por Sevcenko, em sua obra está ligada às estratégias do esquecimento no Brasil que têm um de seus marcos simbólicos no começo do regime republicano, com a queima dos arquivos sobre a escravidão a mando do ministro plenipotenciário das Finanças, Rui Barbosa, defensor da modernização do país ao estilo anglo-saxônico.

Tal atitude é difícil de se imaginar, ainda mais partindo de um homem de cultura da têmpera de Rui Barbosa, mesmo que possa ter tido a insana ideia de mandar queimar os papéis, imaginando talvez que o fogo purificasse a chaga da escravidão. E que, a partir daí esse período fosse apagado da História brasileira.

A verificação do Rio de Janeiro como centro do poder administrativo do Brasil, demarcou uma importante questão estratégica. Outro marco é a queima dos capitais da elite imperial com o Encilhamento, nome que assinalou a emissão de moeda e de ações que geraram enormes especulações, disparando a inflação, propagando a pobreza e fazendo nascer uma classe de arrivistas ricos.

Paralelamente a isso, deu-se o movimento da Regeneração que teve como marco inaugural o “bota-abaixo” da área central do Rio de Janeiro, a mais densamente povoada, sob a tutela do presidente da República, o fazendeiro paulista Rodrigues Alves, que culminou com a derrubada em 1920 do morro do Castelo, que havia assistido à fundação da cidade por Estácio de Sá.

O centro do Rio de Janeiro colonial havia se transformado em extensos pardieiros ocupados por gente pobre. Essa população foi mandada para os subúrbios ou para os morros que cercam a cidade e, no lugar daquele casario, ergueram-se prédios no puro estilo art nouveau rigorosamente copiado das grandes capitais europeias, inaugurando-se em 1904 a Avenida Central, hoje Rio Branco, para dizer ao mundo que nos trópicos havia uma civilização. Sevcenko escreve que havia princípios básicos que deveriam ser realizados a qualquer custo:

Assistia-se à transformação do espaço público, do modo de vida e da mentalidade carioca, segundo padrões totalmente originais; e não havia que pudesse se opor a ela. Quatro princípios fundamentais regeram o transcurso dessa metamorfose (…): a condenação dos hábitos e costumes ligados à sociedade tradicional; a negação de todo e qualquer elemento de cultura popular que pudesse macular a imagem civilizada da sociedade dominante; uma política rigorosa de expulsão dos grupos populares da área central da cidade, que será praticamente isolada para o desfrute exclusivo das camadas aburguesadas; e um cosmopolitismo agressivo, profundamente identificado com a vida parisiense.

Tal modificação tem como resultado hoje, que quase não há quase resquícios da cidade colonial do Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, cuja burguesia também fez questão de fazer desaparecer as lembranças desse período da História.

Para provar que é possível ler a história simultaneamente ao ato de ler a literatura, reproduzindo como que pelo avesso o movimento de quem fez história fazendo literatura, Sevcenko buscou dois autores representativos do período da Belle Époque brasileira: o engenheiro Euclides da Cunha (1866- 1909), descendente de portugueses e sertanejos baianos, e o amanuense Lima Barreto (1881-1922), mulato, que por problemas financeiros teve de desistir, logo depois de matriculado, de estudar Engenharia.

Quando se remete a trabalhar com intelectualidade, em especial a do Rio de Janeiro, Sevcenko busca os anseios e frustrações de parte dos intelectuais brasileiros nos anos iniciais da República, num período que se estende na verdade do início da campanha abolicionista até a década de 1920, em que o Rio de Janeiro exerceu papel preponderante, senão hegemônico, como capital cultural, além de ser o centro das decisões políticas e administrativas.

Para Lima Barreto, era justamente o grande empresário que representava a maior ameaça à sociedade. Quer fosse ele o latifundiário, o especulador, o proprietário de “falsas indústrias” que vivia a mamar nas tetas públicas ou ainda o grande cafeicultor que fraudava as leis do mercado mediante estoques financiados, lesando toda a nação. Ele era revoltado também com o comportamento dos jornais que faziam campanhas financiadas para apoiar determinadas obras, beneficiando empreiteiros. Como se vê, a prática de favorecer empreiteiros não vem de hoje.

A quase totalidade das gazetas era de proprietários de origem portuguesa, colônia que também dominava o comércio e a indústria da cidade. O escritor achava que os portugueses ficavam também com os melhores empregos – um patrão português sempre optava por um empregado português, em vez de prestigiar o trabalhador nacional – e era contra a imigração de europeus para o trabalho na lavoura.

[…]

 

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como Missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. 2ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 420p. ISBN 85-359-0409-3

Artigo na integra

 http://jararaca.ufsm.br/websites/rila/download/RILA-6/Resenha6_2.pdf

Anúncios
Sem categoria

Movimentos sociais da Primeira República

Por Leando Augusto Martins Junior

Mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Durante a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o Brasil vivenciou um dos eventos mais fundamentais de sua História. O movimento liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca destituiu do poder o último imperador do país, inaugurando um novo sistema de governo, a República. No entanto, a despeito de sua relevância histórica, este acontecimento não alterou as estruturas socioeconômicas brasileiras: as desigualdades continuavam profundas, a economia frágil e arcaica e a cidadania não era experimentada em sua amplitude pela grande maioria da população.

Frente a este quadro de permanência de misérias e insatisfações, diversos setores da sociedade brasileira vieram a se mobilizar, trazendo à tona todo o inconformismo que então se fazia presente. Neste período, campos e cidades foram, então, tomados por inúmeras revoltas populares, demonstrando como os parâmetros jurídicos que limitavam a participação política à época não impediram, na prática, a atuação dos mais distintos grupos sociais.

CANUDOS, CONTESTADO E CANGAÇO

h

Problema que ainda hoje nos aflige, a concentração de terras se apresentava como o principal ingrediente motivador das rebeliões que ocorreram nos campos brasileiros na passagem do século XIX para o XX. A exploração da mão de obra camponesa e as dificuldades de acesso à propriedade rural podem ser encontrados, assim, nas origens da “Revolta de Canudos”, da “Guerra do Contestado” e do movimento do “Cangaço”.

Ocorridos em locais distintos, a formação do arraial de Canudos (Bahia) e a Revolta do Contestado (região fronteiriça entre Paraná e Santa Catarina) fizeram-se a partir da luta dos mesmos atores sociais, ou seja, camponeses explorados em decorrência da expansão latifundiária. Do mesmo modo, possuíam a liderança de personagens entendidos por seus seguidores como verdadeiros “messias”. Antonio Conselheiro e José Maria representavam, portanto, um comando que era ao mesmo tempo político e religioso.

Os destinos dos dois movimentos foram igualmente semelhantes, com seus integrantes sendo ferozmente combatidos pelas tropas federais. E este foi o mesmo tratamento dado aos “cangaçeiros”. Interpretados pela historiografia ora como “heróis” que roubavam dos ricos para dar aos pobres, ora como bandidos que corrompiam a ordem estabelecida, estes indivíduos se utilizavam de práticas não legais como forma de resistência à miséria que os afligia. O enfrentamento a tais movimentos correspondia, deste modo, tanto aos interesses das oligarquias latifundiárias, quanto aos de um governo que ainda almejava se consolidar em âmbito nacional e que, portanto, não poderia admitir tamanhas convulsões sociais.

REVOLTA DA ARMADA

Embora tivesse uma população majoritariamente camponesa, a sociedade brasileira não se limitou ao espaço rural para demonstrar suas insatisfações com a recém-proclamada república. Contrários ao centralismo político que marcou as gestões de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, rebeldes se levantaram no Rio de Janeiro e em cidades do sul através das “Revoltas da Armada”. Organizadas por setores da marinha, foram severamente reprimidas pelo governo, fato que valeu a Floriano a alcunha de “Marechal de Ferro”.

Em 1910, setores da marinha vieram novamente a se rebelar contra o governo. No entanto, dessa vez a revolta se fez a partir de marinheiros inconformados com as punições físicas que sofriam através da ação de seus superiores. A questão racial contribuiu igualmente à eclosão do movimento, já que a grande maioria dos castigados era constituída por marinheiros negros, muitos dos quais ex-escravos. Sob a liderança de João Cândido, o “Almirante Negro”, os revoltosos se confrontaram contra os militares fiéis ao governo, sendo derrotados após sangrentos embates.

REVOLTA DA VACINA

j

A cidade do Rio de Janeiro apresentava grande centralidade nos movimentos sociais ocorridos durante a República Oligárquica. Capital federal, foi palco de inúmeros levantes contra o governo, inclusive da polêmica “Revolta da Vacina”. Tendo ocorrido durante a gestão do prefeito Pereira Passos, o movimento se opôs à obrigatoriedade de vacinação contra a varíola imposta pelo poder público. O que se contestava, na verdade, não era apenas o autoritarismo do projeto, mas as reais intenções do governo em estabelecer tal medida.

A insatisfação da população carioca com a administração do prefeito “Bota Abaixo” também se relacionava às reformas urbanísticas então desenvolvidas na capital. Marco fundamental do projeto “Paris Tropical”, a avenida Central foi aberta após a demolição de boa parte do morro do Castelo, o que acarretou a saída compulsória de diversas famílias que ali moravam. Muitas delas passaram a residir, então, em cortiços e nas primeiras favelas formadas na cidade.

TENENTISMO

Ao longo da década de 1920 as críticas ao governo federal ficaram ainda mais vorazes. Diversas revoltas colocavam em xeque a legitimidade das oligarquias que então estavam no poder. Opunham-se, deste modo, às estruturas arcaicas que perduravam no país, como a prática do voto de cabresto, as elevadas taxas de analfabetismo e a debilidade de nossas incipientes indústrias.

Nesse contexto, e lutando contra tais mazelas, é que serão organizadas a Semana de Arte Moderna (São Paulo) e o movimento “tenentista”. A “SAM”, além de sua grande importância em termos intelectuais e artísticos, foi vanguardista ao criticar claramente os desmandos das elites políticas brasileiras. O “Tenentismo”, idealizado por tenentes e outros jovens militares, uniu diversos setores das forças armadas contra esses mesmos poderosos. A “Revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana” e a “Coluna Prestes” são dois exemplos de eventos mobilizados a partir das concepções tenentistas.

Artigos, Brasil

O RÁDIO NO BRASIL: DO SURGIMENTO À DÉCADA DE 1940 E A PRIMEIRA EMISSORA DE RÁDIO EM GUARAPUAVA

radioo.jpg

No Brasil, a primeira experiência radiofônica ocorreu em 1922, porém, somente em 1923 foi instalada a primeira emissora. Até o início da década de 1930, o rádio permaneceu em caráter experimental. Organizado em sistema de sociedade, com uma programação voltada para a elite, o rádio teve um desenvolvimento lento até quando foram permitidas propagandas comerciais que levaram à organização de empresas para disputar o mercado.

O desenvolvimento desta reflexão procura mostrar como o rádio exerceu forte influência na vida das pessoas, sendo capaz de criar modas, inovar estilos e inventar práticas cotidianas. Os diversos programas, como as radionovelas, programas de auditório, humorísticos, de variedades, de calouros e outros, fizeram tanto sucesso que marcaram profundamente a vida das pessoas, transformando-se em parte integrante do cotidiano. Além da divulgação de manifestações artísticas, mantinha as pessoas informadas e integradas, superando os limites físicos. O rádio trazia o mundo para dentro de casa.

Após o seu lançamento, o rádio passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, tornando-se um companheiro de todas as horas e um importante meio de informação e entretenimento. E continua presente em todos os meios, nas mais diversas situações. É utilizado como veículo de informação, lazer, denúncias e difusão de uma ideologia formadora de opiniões. Desde os primeiros tempos, a radiodifusão apresentou-se como algo de fundamental importância em relação à comunicação à distância. Logo se percebeu a função estratégica que o rádio poderia desenvolver. Por essa razão, em alguns países somente foi permitida pelos governos a criação de emissoras de rádios estatais.

A partir da década de 1930, Getúlio Vargas passou a fazer uso desse meio de comunicação para difundir o projeto político-pedagógico do Estado Novo, repassando a imagem de uma sociedade unida e harmônica, sem divisões e conflitos sociais. Por meio de um programa oficial, A Hora do Brasil, que deveria ser retransmitida por todas as emissoras do país, buscava-se difundir a informação, a cultura e o civismo, criando uma unidade nacional.

Ao conhecer a história dos primeiros tempos do rádio no Brasil e a sua importância para a divulgação de uma ideologia, torna-se possível entender por que o poder público procurou, desde o início, manter sob controle os meios de comunicação.

Segundo CABRAL (1996), a radiodifusão foi implantada sistematicamente na Europa e nos Estados Unidos em 1920. Porém, já na década de 60 do século XIX, o inglês James C. Max-well falou da existência das ondas de rádio que, vinte anos mais tarde, receberam o nome de ondas hertzianas, em homenagem ao seu real descobridor, Rudolph Hertz. A teoria de Hertz foi demonstrada na prática somente no final do século, por Guglielmo Marconi, um cientista italiano que montou antenas dirigidas tanto para um transmissor quanto para um receptor.

Após várias experiências, o rádio finalmente chegou ao Brasil. Sua apresentação à sociedade brasileira, segundo CALABRE (2002), ocorreu num momento em que o Brasil buscava a modernização e o rompimento definitivo com o passado.

No início da década de 1920, houve a derrubada do Morro do Castelo e em seu lugar foram construídos pavilhões para a Exposição Nacional em comemoração ao Centenário da Independência.

No dia 07 de setembro de 1922, ocorreu a primeira demonstração pública de transmissão de rádio no país, na qual os visitantes da Exposição e outros cidadãos, agraciados com 80 receptores, sendo alguns deles instalados em praças públicas, puderam ouvir o discurso do presidente Epitácio Pessoa, além de trechos da Ópera O Guarany, de Carlos Gomes, do Teatro Municipal, onde estava sendo executada.

Essa primeira demonstração pública de uma transmissão radiofônica, apesar de ser acompanhada de muitos ruídos, causou espanto e curiosidade entre os visitantes da Exposição Nacional. As primeiras transmissões radiofônicas resultaram em tão grande sucesso que no ano seguinte, em abril de 1923 foi instalada a primeira emissora de rádio brasileira: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de propriedade do cientista Henrique Morize e do escritor e antropólogo Edgar Roquette Pinto.

As primeiras rádios, por serem financiadas por seus associados, eram sociedades ou clubs que tinham como objetivo difundir a cultura e promover a integração nacional. É por essa razão que a denominação das primeiras emissoras era sempre Rádio Sociedade: do Rio de Janeiro em 1923; de São Paulo em 1924; ou Rádio Clube: Pernambuco, Paraná, São Paulo, sendo estas de 1924.

Grande divulgador do conhecimento por meio de livros, revistas e jornais, Roquette Pinto entusiasmou-se com o advento do rádio no Brasil, afirmando em seu livro “Seixos Rolados”:

Nós que assistimos à aurora do rádio sentimos o que deveriam ter sentido alguns dos que conseguiram possuir e ler os primeiros livros. Que abalo no mundo moral! Que meio para transformar o homem, em poucos minutos, se o empregar com boa vontade, alma e coração! (MOREIRA, 1991, p. 16).

Roquette Pinto era médico e antropólogo, foi membro da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Letras e também foi o fundador do Instituto Nacional de Cinema Educativo. Defendia a necessidade de levar cultura e educação a todos os brasileiros. Henrique Morize, companheiro de Roquette Pinto, era presidente da Academia Brasileira de Ciência. Ambos viam no rádio a possibilidade de elevar o nível cultural do país. Vários intelectuais aderiram às idéias dos pioneiros e freqüentavam à emissora, prestando sua contribuição por meio de entrevistas e palestras.

O rádio, em sua primeira fase, tornou-se um meio preocupado em levar educação e cultura à população. Várias emissoras brasileiras seguiram essa vocação mesmo quando o rádio comercial passou a se destacar. Em 1936, mediante a promessa de que os ideais de educação e cultura seriam preservados, Roquette Pinto doou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ao Ministério da Educação e Cultura, dando início ao sistema de Rádios Educativas no Brasil.

Na década de 1920, o rádio era um meio de comunicação ligado às camadas altas da população devido ao estilo de sua programação: óperas, conferências e músicas clássicas que agradavam à elite, não atingindo as camadas populares.

A Rádio Sociedade Rio de Janeiro desenvolvia programas voltados à formação dos ouvintes, por meio de cursos: aulas, conferências e palestras. Literatura, lições de português, história, geografia e outras faziam parte das transmissões radiofônicas. Muitos intelectuais, em visita ao Rio de Janeiro, eram convidados a participar, tornando evidente a preocupação com a divulgação do conhecimento. Porém, apesar dos esforços de Roquette Pinto em oferecer uma programação educativa popular para a maioria da população, o rádio continuou refletindo um nível cultural de elite (MOREIRA, 1991).

Em 1924, surgiu também no Rio de Janeiro, a segunda emissora de rádio, a Rádio Clube do Brasil. Os próprios ouvintes montavam seus aparelhos receptores, os chamados rádios de galena. “[…] com a utilização de cinco pequenas peças: cristal de galena, indutor, condensador variável de sintonia e fones de ouvido.” (CABRAL, 2006, p. 9).

As pessoas podiam adquirir as peças para montar seu aparelho. Os receptores eram caros e o sistema de transmissão, por ser de baixa potência e de difícil captação, fazia com que a qualidade da recepção fosse ruim.

A partir do momento em que começaram a chegar ao Brasil rádios já montados, com alto-falantes, essa situação começou a ser alterada, ainda no final da década de 1930. Assim como os receptores, as instalações das emissoras também eram bastante precárias. Até 1926 somente as duas emissoras radiofônicas funcionaram, quando foi então criada a Rádio Mayrink Veiga.

Em 1930, segundo OLIVEIRA (2003), já havia cerca de 16 emissoras funcionando no sistema de sociedade. Cada associado pagava uma mensalidade para poder receber o som. Inicialmente a escuta era individual, por meio de rádio de galena e fone de ouvido, porém logo a escuta se tornou coletiva. No entanto, havia inúmeras dificuldades e, devido ao pequeno número de receptores, as emissoras transmitiam seus programas em horários pré-estabelecidos.

Por determinação do Estado, os proprietários deveriam registrar seus aparelhos para que houvesse controle sobre as transmissões e captações. Apesar disso, qualquer pessoa que tivesse o aparelho receptor podia captar o som. Percebendo a possibilidade e a vantagem da escuta coletiva, o interesse pelo rádio aumentou, dando início ao seu processo de popularização.

Inicialmente, para que fosse criada uma nova emissora, era necessário formar uma rádio-sociedade, na qual o estatuto determinava que houvesse associados que colaborassem com certa quantia mensal. Tal verba era, às vezes, a única fonte de renda das emissoras. Como os associados não eram fiéis ao pagamento, muitas emissoras passavam por dificuldades.

Nesse período também era comum os locutores pedirem, em seus programas, que os ouvintes se inscrevessem como sócios e contribuíssem, emprestando seus discos à emissora, para que a programação pudesse ser feita. A elite que tinha condições de adquirir um aparelho, também possuía em casa diversos discos que doava ou cedia temporariamente. Ao anunciar a música, o locutor agradecia ao ouvinte que tinha emprestado ou doado o disco à emissora. A programação das emissoras, nesse sistema de sociedade, acabava atendendo as camadas sociais mais altas e refletia seus interesses, pois eram elas que mantinham a emissora no ar.

Europa, Resumos

Resumo sobre a Idade média.

Resultado de imagem para idade media

“A idade Média começou com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e se encerrou com a tomada da capital do Império Bizantino, Constantinopla, pelos turcos-otomanos, em 1453. Esse período costuma ser dividido em dois: Alta e Baixa Idade Média.

A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi a época de consolidação, na Europa Ocidental, do feudalismo, sistema socioeconômico predominante na era medieval. No Oriente, porém, em vez da descentralização política feudal, o período foi marcado por dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe.

A Baixa Idade Média vai do século XI até o fim do período medieval, no século XV. É quando o feudalismo chegou ao auge e entrou em decadência. Lentamente, ele começou a sofrer transformações que só se concluíram na Idade Moderna, quando seria substituído, no campo político, pelas monarquias nacionais e, no econômico, pelo sistema mercantilista.

Por séculos, a Idade Média foi tida como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o Renascimento, no século XVI, quando o período medieval foi apelidado de Idade das Trevas.

Marcam este período o feudo como base econômica, a estrutura política baseada no sistema de vassalagem e suserania, certo estatismo social, onde havia pouca mobilidade e uma forte hierarquia entre classes e o domínio da Igreja no cenário religioso. Além disso, as guerras medievais e a peste negra dizimou boa parte da população da época.

O período da Idade Média também foi responsável por importantes avanços, sobretudo no que diz respeito à produção agrícola: inventaram-se o moinho, a charrua (um arado mais eficiente) e técnicas de adubamento e rodízio de terras.

Outra herança medieval são as universidades, que começaram a surgir na Europa no século XIII. Além disso, desenvolveram-se importantes movimentos artísticos, como o românico e o gótico; viveram influentes filósofos, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino; e, graças ao trabalho dos monges, preservou-se a cultura greco-romana – o que possibilitaria, aliás, o surto de revalorização da Antiguidade Clássica ocorrido durante o Renascimento.”

(https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/resumo-de-historia-idade-media/)

Brasil, Curiosidades

13 Curiosidades sobre Ouro Preto

Imagem relacionada

1 – A Origem de Ouro Preto – Em que ano foi fundada a cidade?

Localizada no estado de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto foi oficialmente fundada no ano de 1711.

Uma das curiosidades sobre Ouro Preto é que ela é uma cidade muito antiga, e teve seu auge muito tempo atrás.

Seu período mais importante na história e na arte, foi ainda antes da vinda da Coroa Portuguesa ao Brasil (1808) e da Independência(1822

2 – Quem fundou a cidade de Ouro Preto?

A cidade de Ouro Preto não foi fundada unicamente por um homem, mas foi ganhando forma com o acúmulo de vários bandeirantes, que descobriram o ouro e as pedras preciosas na região e foram ficando por ali com o desejo de enriquecer.

Se existe alguém responsável pela fundação da cidade, foram esses bandeirantes, homens que exploravam o interior do Brasil, então desconhecido.

No ano de 1711 a aglomeração de exploradores ganhou título de vila e passou a chamar-se: Vila Rica de Albuquerque, em homenagem ao  capitão-general da capitania.

3 – Por que Vila Rica passou a se chamar Ouro Preto?

Já vimos como a região onde os bandeirantes começaram a se agrupar foi elevada a uma vila e passou a se chamar “Vila Rica de Albuquerque”.

Segundo as informações, foi D. João V quem mandou retirar o Albuquerque do nome e deu um novo sobrenome à vila: Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar.

Já o nome Ouro Preto foi adotado, abaixo veremos porque, no dia 20 de maio de 1823 quando a Vila Rica deixou de ser uma vila e foi elevada a cidade.

É bacana observar que Vila Rica virou Ouro Preto no ano seguinte ao da independência do Brasil.

Ou seja, mesmo depois do Ciclo do Ouro, que acabou aproximadamente em 1785, Ouro Preto continuou sendo vista como um lugar importante do país.

4 – Qual a Origem do nome Ouro Preto?

O nome Ouro Preto nos remete ao verdadeiro descobrimento do ouro na região mineira.

Segundo reza a lenda, os exploradores encontraram pedras de granito pretas dentro do rio que banhava a região e levaram algumas pedras para averiguar o que seria.

Depois que o ouro foi descoberto por trás daquela pedra negra, surgiu o nome: Ouro Preto.

5 – Número de Igrejas, Capelas e Passos

Uma das principais atrações da cidade são as Igrejas e Capelas de Ouro Preto.

A maioria foi construída durante a época do Ouro e se mantém de pé até hoje, uma mais linda que a outra (por dentro e por fora).

No total, são 19 diferentes Igrejas, Capelas e Passos em Ouro Preto que fazem a felicidade de quem aprecia a arquitetura e arte do nosso período colonial.

6 – Festas Religiosas de Ouro Preto

Por conta de todo o legado arquitetônico e artístico deixado nas igrejas pelos nossos antecedentes, pode-se presumir que a religião se mantém muito viva em Ouro Preto.

As festas religiosas que acontecem lá ganham grandes proporções e envolvem habitantes de todas as cidades próximas em representações e procissões.

Para os devotos, pode ser bem interessante conciliar o turismo em Ouro Preto com essa época e aproveitar para viver uma experiência diferente em Ouro Preto.

7 – Declínio da População da maior metrópole da América Latina?

Outra grande curiosidade sobre Ouro Preto é o número populacional da cidade.

Como vimos, a cidade surgiu por conta dos bandeirantes que adentraram no interior Brasileiro em busca do ouro. Quando o ouro foi encontrado lá, podemos imaginar a quantidade de gente que foi para a região com a esperança de enriquecer.

O auge populacional da cidade foi de 150 mil pessoas, sendo reduzido para menos de 15 mil pessoas quando o ouro acabou. Em certo momento, ela chegou a ser a maior metrópole da América Latina.

Hoje, estima-se que vivem 70 mil pessoas na cidade, sendo pelo menos 1/4 de estudantes.

Obs: Para conhecermos um processo parecido, vale a pena ler o livro “Cascalho” de Herberto Sales que fala sobre o garimpo baiano e essa esperança de enriquecimento.

8 – Um dos melhores Carnavais do Brasil!

Já escrevemos aqui sobre o carnaval de Ouro Preto.

Por ser uma cidade universitária, Ouro Preto tem muitos jovens que aproveitam a época de Carnaval e envolvem toda a cidade em suas festas.

As repúblicas de estudantes oferecem diversos pacotes com hospedagem, alimentação e o ingresso para algum dos blocos da cidade. Esses pacotes atraem pessoas do mundo inteiro durante os dias de folia, para os carnavalescos, vale a pena passar um ano por lá.

9 – Quantos Anos tem a cidade de Ouro Preto?

Para contarmos a idade de Ouro Preto precisamos decidir se levarmos em consideração seus anos desde que foi nomeada vila ou apenas depois que foi reconhecida como cidade.

Desde Vila Rica, ela tem 307 anos.

Desde que foi nomeada como a cidade de Ouro Preto, ela tem 195 anos.

10 – Patrimônio Cultural da Humanidade

Uma curiosidade interessante e de muito orgulho para todos os Brasileiros é que em 2 de setembro de 1980 a cidade de Ouro Preto foi declarada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Além disso, alguns dos pontos turísticos de Ouro Preto possuem reconhecimentos especiais, como a Igreja de S. Francisco de Assis. Ela é considerada uma das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

11 – Um tal de Chico Rei

Outra curiosidade que ocorreu em Ouro Preto e é lenda viva até hoje na cidade é a história de Chico Rei.

Chico Rei era um rei em sua tribo na África, até que foi capturado pelos exploradores de escravos e trazido nos navios negreiros para o Brasil.

Eis que no Brasil, na condição de escravo das minas de Vila Rica, Chico Rei conseguiu comprar a sua liberdade, comprar uma mina para explorar e ainda ajudou a comprar a alforria de vários outros escravos.

12 – Inconfidência Mineira e a cabeça de Tiradentes

Uma curiosidade de Ouro Preto que não passa despercebida por quem visita a cidade é a presença marcante da Inconfidência Mineira na cidade, rebelião que acabou com muitos conflitos e com a execução do famoso Tiradentes.

Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro, mas sua cabeça ficou exposta na praça de Ouro Preto, em frente ao governo da cidade.

Hoje, na praça principal de Ouro Preto, você encontra a Estátua de Tiradentes, virada de costas para o Palácio do Governo.

A inconfidência também deixou sua marca na literatura, como por exemplo, na clássica obra de Gonzaga: “Marília de Dirceu“

13 – Riqueza Cultural de Ouro Preto

Para completar nossa lista de curiosidades sobre Ouro Preto, precisamos falar sobre o legado cultural que a cidade nos deixou.

Além das Igrejas que já mencionamos acima, Ouro Preto – ou Vila Rica – foi onde brilharam alguns dos maiores gênios da Cultura Brasileira, por exemplo:

  • Aleijadinho (Escultor)
  • Mestre Ataíde (Pintor)
  • Tomaz Antônio Gonzaga (Poeta)
  • Cláudio Manoel da Costa (Poeta)
Vídeos

Por que nunca mais voltamos à Lua?

Desde o começo da corrida espacial, em plena Guerra Fria, o interesse da humanidade parecia residir em uma expedição humana iminente para a Lua. Porém, depois de várias missões bem-sucedidas, a prioridade dos governos passou a se concentrar em outros assuntos.

Em 1972, Eugene Cernan, da missão norte-americana Apolo 17, foi o último homem a pisar na Lua. Após a vitória de Richard Nixon, a disputa com a União Soviética pela conquista do Universo deixou de ser prioridade nacional. O então presidente dos Estados Unidos cancelou o financiamento de três missões para a Lua, por considerá-las excessivamente caras para o orçamento do país.

“O governo dos Estados Unidos não tem mais razões estratégicas de peso para pisar na Lua. Lamentavelmente, o motivo é mais uma vez político e não científico nem econômico”, explica o pesquisador da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, Gustavo Romero. “A verdade é que a capacidade tecnológica para isso se perdeu”, conclui o professor.

 

Artigos

A experiência constitucional norte-americana

Muito se discute a respeito da Constituição norte-americana, não
propriamente a respeito de sua efetividade, já que, por se tratar de uma
constituição sintética, permite generosa elasticidade em sua interpretação,
embora sem ameaçar o alicerce ideológico do liberalismo econômico sob
o qual passou a viger, mas especula-se sobre o porquê de ter durado tanto,
não obstante as profundas transformações sofridas pela sociedade americana
nos últimos duzentos anos.

Link para baixar o artigo