Da série de contos de Luciano Benigno

por Luciano Benigno

– Do que mais tenho saudade? Penso que é da minha mãe, dizendo pra não sair no terreiro depois de tomar banho, pra não pegar resfriado; do meu pai olhando pro céu e dizendo que de tarde vai chover; e dos meus irmãos… todos, todos, até de Reginaldo, que me batia de manhã e de noite, quando ia e voltava da roça.

– Do que não tenho saudade? Da lida difícil, seu moço: madrugar, na friagem, uma soquinha de café-com-farinha na goela, dedão do pé duro de frio e papai contando que antigamente geava mais.  Já pisou em estrume de vaca? É quente por dentro. Teia de aranha molhada de orvalho é bonita de se ver: ela lá no meio, treme-que-treme, balangando com o vento: será que sente a friagem não?!?

– Embaralhei tudo: tenho saudade disso também!

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