A Inglaterra revolucionária

Revolução Inglesa

A Revolução Inglesa, como todas as revoluções, foi causada pela ruptura da velha sociedade e não pelo desejo da burguesia, ou pelos líderes do longo parlamento. Seu resultado ,no entanto, foi o estabelecimento de condições muito mais favoráveis ao desenvolvimento do capitalismo do que aquelas que prevaleceram até 1640.

Foram as estruturas, as fraturas e as pressões da sociedade, e não os desejos dos líderes, que ocasionaram a eclosão da Revolução moldando o Estado que dela emergiu.

A medida que a Revolução se desenvolveu, homens com ideias do que seria desejável politicamente tentaram controlá-la, mas nenhum deles obteve sucesso .O resultado da Revolução não foi algo desejado por quaisquer dos participantes. Uma vez rompidas, as velhas amarras a forma que a nova ordem assumiu foi, em longo prazo, determinada pelas necessidades de uma sociedade na qual um grande número de homens sem ideologia cuidava apenas de seus próprios interesses.

Entre “as forças sociais que panharam a ascensão do capitalismo” devemos incluir, não apenas o individualismo daqueles que queriam obter dinheiro, fazendo o que podiam com seus meios, como também o individualismo dos que quis eram seguir suas próprias consciências adorando á, Deus, o que os levou a desafiar as instituições de uma sociedade hierarquicamente estratificada.

Na Inglaterra no século XVI, a classe dominante de proprietários de terras era restrita, e estava segura apenas enquanto estivesse unida. Nas duas gerações anteriores a 1640 esta já, não estava mais unida pelo medo, seja da Espanha, de uma guerra civil dinástica ou de uma revolta camponesa, estava dividida por questões econômicas principalmente pelos monopólios e por questões religiosas. Á partir de 1618 dividiu-se em relação à política externa, tão intimamente ligada a religião. A depressão do setor têxtil na década de 1620 e a batalha pelas florestas isolaram o povo e um setor da gentry da coroa, e dos grandes aristocratas que estavam cercando florestas e terras comunais. Desde os anos, após 1620, pelo menos conflitos nos burgos revelaram uma ruptura entre as tendências, oligárquicas, e da coroa e de alguns da gentry, além da disposição de senhores, menos intimamente associados á corte de apoiar um sufrágio amplo nos burgos.

Por volta de 1660 ocorreram transformações na politica inglesa e no cenário social que_ quaisquer, que fossem as intenções daqueles que a causaram_ tiveram como consequência facilitar o desenvolvimento do capitalismo. A abolição de posses feudais e da Court of Wards(1646 1656 confirmada em 1661) “transformou o senhorio numa propriedade absoluta” .Senhores de terra foram liberados de incidência de impostos, atribuídos sobre  heranças, e suas  terras tornaram-se uma mercadoria que podia ser comprada vendida e hipotecada.

Desta forma investimentos de capital em longo prazo, na agricultura tornaram-se possíveis. Essa foi a mudança decisiva na história da Inglaterra que diferente do continente. A partir desta, originaram-se todas as outras diferenças. A aboliçãodas posses feudais também removeu uma forte alavanca da finança e do controle real e assim enfraqueceu gravemente a posição independente da monarquia.

No final dos anos quarenta e cinquenta a demanda radical por segurança de direitos equivalentes pelos foreiros foi derrotada. Assim a maioria dos obstáculos aos cercamentos foi removida. Isso preparou o palco para  a rápida expansão da agricultura capitalista , empregando as novas técnicas popularizadas pelos reformadores agrários do Interregnum. Estabilizaram-se os preços dos alimentos e não houve mais  períodos de fome na Inglaterra , embora os cercamentos, e o cultivo das terras devolutas , protegeu os fazendeiros das importações .autorizou o armazenamento de cereais, e estabilizou o subsidio nas exportações .A luta pelas florestas e terras comunais  de antes de 1640 tinham como finalidade tornar seu cultivo mais lucrativo .

“a provisão de terras para melhoramentos agrícolas mineração transportes fábricas e cidades foi um problema tão insignificante na Revolução Industrial britânica que frequentemente se esquece do obstáculo que a posse de terra feudal tribal ou camponesa pode representar em países subdesenvolvidos”

O imposto sobre a terra foi baseado numa nova determinação, que atingiuos grandes senhores de terra muito mais duramente do que o imposto.

O período após 1660 testemunhou tanto a quebra de máquinas, como início da organização sindical. A liberdade e a mobilidade das décadas revolucionárias também, cujas atividades  foram tão incentivadas pela legislação posterior, a restauração como haviam sido fustigadas pelos governos anteriores à 1640.

Após 1660 como a gentry dominou a sociedade inglesa e o estado, mas o contexto social era diferente, os confiscos e vendas de terras da Revolução apesar de temporárias a redistribuição de riquezas pelos impostos, juntamente com a derrota dos radicais, facilitaram a ruptura das relações patriarcais tradicionais realistas foram forçados a melhoria a administração de Deus bens pelas pressões econômicas da Revolução e pela ausência da corte enquanto fonte de renda eventual.

Os cercamentos, que haviam sido oficialmente denunciados pelo Arcebispo Laudainda.

Nos anos trinta, foram defendidos naguerra de panfletos da década de 1650, e tornaram-se um dever patriótico. Diz-nos o biografo do general Monck a seu respeito:

“sabia muito bem… quão inábil é a nobreza para manter seu próprio respeito e ordem, ou para assistir a Coroa, enquanto se fazem os nobres desprezíveis e fracos pelo número e peso de suas dívidas e pela contínua decadência de suas propriedades. Se a riqueza da nação centraliza-se em sua maior parte entre as camadas mais baixas do povo e entre comerciantes, cedo ou tarde estará ao seu alcance, provavelmente, em seus desejos, tomar o governo. Estas e outras considerações semelhantes levaram o Duque de Albermarle a se tornar um dos maiores exemplos de administração honrada para a nobreza, assim como fora, anteriormente, exemplo de lealdade e de obediência.”

Após 1660, a politica externa republicana e Cromwelliana de apoio ao comercio e à navegação da Inglaterra teve continuidade.

Em 1694, o banco da Inglaterra se estabelecia. Anteriormente, um banco não poderia ter se edificado na Inglaterra, nem na França de Luís XIV, pois “os comerciantes temiam”… Que o Rei pudesse meter as mãos nos depósitos

Sem dúvida, após 1660, Carlos II (de tempos em tempos) e Jaime II (mais seriamente) sonharam em construir a monarquia absoluta que seu pai não havia conseguido. Entretanto, graças à Revolução, nunca houve qualquer possibilidade de obterem sucesso.

Assim 1660 testemunhou uma união do Round Heads e dos cavaliers contra o radicalismo religioso, político e social. Embora formalmente nenhum a legislação não aceita por Carlos I fosse válida, após 1660, um número suficiente de concessões havia sido retirada da monarquia entre 1640-1641 para que isto não importasse. Havia “um rei plenamente ungido”, mas nenhum risco de absolutismo.

Doravante, prestava-se deferência ao dinheiro e não apenas às terras.

Pares e outros grandes proprietários de terra tinham ainda enormes recursos que podiam ser aplicados num desenvolvimento capitalista: terras prestigiam e acessam aos cargos da corte. Marx antecipou-se ao professor Stone ao ressaltar “a maravilhosa vitalidade da classe dos grandes senhores de terra” na Inglaterra, “Nenhuma outra classe empilha dívida sobre dívida tão despreocupadamente como esta. E mesmo assim, sempre se saindo bem”. Ostrictsettlement (acordo restrito), que impedia a divisão de propriedades pelos herdeiros, garantiu a acumulação de capital num momento em que a expansão do comércio externo, a marinha e a burocracia (sob controle parlamentar) ofereciam empregos aos filhos mais jovens, e quando o bom agrícola fez da carreira eclesiástica uma profissão aceitável, uma vez mais se tornou disponíveis dotes mais ricos para as filhas.

Entre 1660 e 1668 houve um equilíbrio instável. Como o professor Trevor-Ropewr observou, não havia problemas, antes da Guerra Civil, que não pudessem ser solucionados por homens sensatos, sentados ao redor de uma mesa.

Não se poderiam atingir esses resultados sem antes se desatrelar do radicalismo religioso, social e político. Nos anos 40, a censura e o controle das cortes eclesiásticas haviam sido rompidos e uma semente selvagem e revolucionária havia se infiltrado em cada uma das heresias que se pregava e imprimia debaixo do sol. As deferências e as decadências de toda a ordem pareciam desintegrar-se.

Esse radicalismo sem precedentes foi lenta e dolorosamente suprimido nos anos 50, mas deixou uma dura memória. Em 1660, membros do Parlamento estavam tão temerosos de seu reflorescimento, tão ansiosos por dispersar, tão rapidamente quanto possível, o perigoso exército e por restabelecer o controle sobre os sectários das classes mais baixas, que deixaram de impor termos definidos à monarquia.

A falha em impor termos precisos à monarquia foi corrigida entre 1668-1689.

A mobilidade das classes mais baixas foi restringida pelo Act of Settlement de 1662 e os pobres foram aceitos como uma parte permanente da população. A máquina a vapor foi inventada, mas não desenvolvida. A Monarquia, a nobreza e a Igreja Oficial sobreviveram na Inglaterra até hoje.

O que sobressaiu na Revolução Inglesa foi o fato de que a classe dominante estava profundamente dividida num momento em que havia muita matéria combustível entre as classes mais baixas, normalmente excluídas da política.

Apesar de normal em sua composição, o longo parlamento foi em condições anormais de excitação política.

O longo parlamento não fez a Revolução. Os membros do parlamento suportaram o melhor que puderam o colapso do velho sistema de governo. Tiveram que equilibrar as pressões das forças populares, cuja hostilidade era dirigida contra a aristocracia. A gentry e os ricos em geral contra o seu medo destas forças, ganharam a luta, e impôs ações aos líderes do parlamento que os deixaram tudo menos felizes. Se a vitoria tinha que ser consolidada o exceciono podia ser disperso.

Em última análise foi o medo. Medo do radicalismo social, do radicalismo religioso, do radicalismo político que conduzia a anarquia _ que permitiu a emergência dos sucessores do partido da ordem dos anos 40.

Nem é o conceito de Revolução burguesa nesta interpretação refutada pela observação de que os ricos homens de negócio se esforçaram para conseguir privilégios e monopólios sob o regime anterior a 1640 e que alguns comerciantes mais ricos apoiaram Carlos 1 durante a Guerra Civil .Homens de negócios querem sempre naturalmente os maiores lucros possíveis; tais lucros eram melhor obtidos na Inglaterra de Carlos 1 estabelecendo-se ligações intimas com o governo em trocados privilégios de monopólio.

Classificar a Revolução Inglesa e Francesa e a revolução russa de 1095 como revoluções burguesas não significa que devam ser encaixadas em um modelo, parece-me que há analogias interessantes entre elas, mas gentry e os comerciantes ingleses do século XVII eram muitos diferentes dos líderes do Tiers Etat. Francês enfrentando numa nobrece altamente privilegiada e uma máquina estatal impregnada pela compra e venda de cargos.

Como Marx reconhece a gentry inglesa tornou-se uma burguesia a sua própria e particular maneira, continuou a explorar seus arrendatários através de justiça senhorial, a usar o dinheiro como fonte de poder político, assim como de capital. Reconhecer sua dependência em relação, as relações capitalistas de produção não implica em negar a maneira específica pela qual adaptou as instituições da velha sociedade, o parlamento, o direito consuetudinário e assim sucessivamente as suas próprias necessidades.

Maurice Dobb há muito tempo decifrou as razões pelo quiasma Inglaterra pré-1640 muitos capitalistas apoiaram o antigo regime ele analisou a diferença entre as duas vias para Revolução burguesa, uma a tipo verdadeiro revolucionária nas quais grupos radicais representando o tipo padrão impulsionaram a Revolução para além do que os moderados desejariam limpando assim os quatro para um desenvolvimento capitalista mais radical e a outra via prussiana na qual tais exceções populares são evitadas, no resultado final a Revolução Inglesa esteve mais próxima do modelo prussiano do que do Francês embora na década de 40 os radicais desempenhassem um papel que se assemelhou ao dos jacobinos franceses.

Outros assuntos em: http://historioteca.wordpress.com/

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