ELEIÇÕES 2012: A má vontade com a política

por Daniel Diniz

 

Encerrada a votação e contabilizados os votos, percebeu-se que parte significativa do eleitorado absteve-se da votação. Ou por meio das justificativas ou simplesmente não comparecendo para justificar futuramente, eleitores de todo o país contribuíram para números recordes de ausências. Na maioria absoluta das cidades, os ausentes teriam podido – caso tivessem votado – mudar consideravelmente o rumo dos resultados.

Analistas, já ontem a noite mesmo, indicavam o tom daquilo que, nos próximos dias, inundará a imprensa em forma de análise: as pessoas estão descrentes da política, cansaço com o quadro de candidatos, protestos, etc. Pode ser que estejam corretos.

Mas, por outro lado, parece realmente inegável que uma campanha constantemente reiterada de descrédito da política como eixo de construção da cidadania vem sendo vitoriosa em nossa sociedade. A ampliação considerável, em cada eleição, do número de abstenções marca que há um incômodo com a política que é lida, sempre, como algo sujo, barulhento, desagradável, desagregador, perturbador da ordem.

Na imprensa, programas como o CQC, da Rede Bandeirantes, bem como os próprios telejornais, não cansam de mostrar como nosso Congresso é ruim, como nossas instituições são frágeis, como nossos partidos políticos são venais. Chega-se à curiosa estratégia de, para penalizar e culpabilizar um partido em julgamento no STF, se criminalizar acordos político-partidários, que se dão, inclusive, para pagar as contas das campanhas que existem (Oh, que horror!!!!) para divulgar as ideias desses partidos.

Política se faz com ideias e com a divulgação ampla dessas ideias. Política se faz com o contraditório, se faz no cotidiano, se faz por que, fora da política, não há meio eficiente de se alcançar a melhoria das condições de vida. Eleição é o momento central do processo político. Sem eleição, estamos na Ditadura – muito mais ordeira, tranquila e apaziguada, sem dúvida, mas sem democracia, por certo.

A quem interessa, então, a construção – continuada e de longa duração – de uma imagem da política como algo sujo, do qual devemos nos afastar sempre, nos ausentar de preferência, a cada eleição? 

Vendendo a imagem de que a política é um horror, nossa imprensa galvaniza o caminho para a não política. E onde não há política, há o que?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s