Do História Mutante: Comuna de Paris e Hobsbawm em A Era dos Impérios

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Hobsbawm inicia o capítulo IV, A Política da Democracia, abordando os efeitos da Comuna de Paris, principalmente sobre as elites econômicas que observaram organizações emergirem de modos cada vez mais radicais e dispostas a lutarem por uma nova sociedade.

Primeiramente o autor explicita o que representou a ocorrência da Comuna e de posteriores insurreições, que mesmo não possuindo o raio de ação desta, provocaram o medo e a instabilidade em nível regional e até mesmo nacional, tal qual esta protagonizou. Basicamente estes acontecimentos significaram um “ataque” do país real sobre o país legal, a pobreza, o descaso e a falta de condições mínimas no que diz respeito ao trabalho manual assalariado impulsionaram a revolta de grupos por toda a Europa, assustando a elite econômica e política. O receio provocado por esta dinâmica, pouco a pouco se transformou em concessões.
Os direitos, ainda que de forma tímida, proporcionaram um ambiente favorável para transformações um pouco mais profundas. Comecemos pelo o que expressa o autor: Os políticos talvez se resignassem a profilaticamente estender o direito ao voto, enquanto ainda eram capazes de controlá-lo, e não alguma extrema esquerda.(HOBSBAWM, 1988,p.128).

Os mecanismos utilizados pelos governos ocupavam os mais diversos campos,outros tantos existiam, como a fraude no registro eleitoral, as exigências de propriedade para o escrutínio, e simplesmente a pura intimidação, exercida por patrões ou outras figuras que gozassem de algum poder. As ferramentas citadas, indubitavelmente retardaram o movimento democrático, contudo não o impediu, e de certa forma como ressalta o texto, fomentou a organização dos descontentes com a situação criada; a mobilização articulada em prol do conflito contra as camadas conservadoras consistiu no fruto deste baú de pólvora criado pelas elites, que segundo Hobsbawm ainda desfrutavam de excessivo descrédito em relação à capacidade política das massas.

O autor ressalta as dificuldades encontradas pelos trabalhadores, sobretudo os operários, em formularem uma pauta comum a todos, suficientemente forte para despertar o interesse dos mais variados tipos de “pobres”, dos quais a participação havia se tornado condição para a própria sobrevivência dos movimentos opositores. Esmiuçar tanto quanto for possível a forma como este processo se desencadeou é o que pretende expor o autor no capítulo seguinte.

 

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