Do Alfredo Braga: Desde quando sabemos do Holocausto?

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o surgimento de um mito

 

A definição do termo “Holocausto judeu” não está livre de ser tachada de subjetiva; interessante porém, é saber quando a opinião pública mundial tomou conhecimento que seis milhões de judeus da Europa Central e Oriental estavam ameaçados de morte, ou já haviam sido parcialmente exterminados.

A resposta estaria no Tribunal Militar Internacional de Nurenberg, ou seja, por volta de 1946 pois, uma ampla averiguação somente seria possível depois do término do conflito. Mas analisemos a situação como um todo:

Uma análise das atas do Tribunal de Nurenberg1 resulta que o número dos seis milhões, fixado naquela época, não se balizou por qualquer levantamento estatístico populacional, ou na avaliação de provas ou indícios materiais do crime investigado mas, simplesmente, nos depoimentos de terceiros por parte de dois burocratas alemães das tropas SS. Um deles, o de Wilhelm Höttl2, foi apresentado por escrito e o outro, o de Dieter Wisliceny3, foi apresentado em testemunho oral. Dieter Wisliceny nunca foi, curiosamente, exposto a uma acareação. Ambas as testemunhas afirmaram que tinham escutado de Adolf Eichmann o número dos seis milhões, afirmação posteriormente desmentida por Adolf Eichmann durante o seu julgamento em Jerusalém, em 19614.

Tanto Wilhelm Höttl, como Dieter Wisliceny, foram acusados devido à participação no processo de deportação dos judeus para Auschwitz. Em decorrência de seus testemunhos, eles passaram a ter uma momentânea sobrevida. Enquanto Adolf Eichmann e Dieter Wisliceny foram condenados e executados anos depois, Eilhelm Hoettl nunca mais sofreu qualquer processo jurídico. Aparentemente, trata-se aqui de um acordo entre as partes como retribuição de serviços prestados. Comparando-se a autobiografia de Höttl5 com o seu depoimento, nota-se claramente várias contradições com as informações fornecidas naquela época6.

Não se pode afirmar com certeza que alguns depoimentos prestados junto ao Tribunal de Nuremberg tenham sido assim feitos com o objetivo principal de “salvar a pele” de cada acusado, porém devemos ter em mente que bastava ter pertencido a determinadas organizações consideradas a priori como criminosas, como a SA, ou a SS, para que essas pessoas já fossem, no mínimo, consideradas “testemunhas obrigatórias”.

Retornando ao aparecimento do “número dos seis milhões”, o historiador inglês David Irving, relata em sua monografia sobre o Tribunal Militar de Nurenberg7que líderes sionistas em junho de 1945, ou seja, logo após a rendição incondicional do exército alemão, divulgaram em Washington o número de vítimas judaicas – seis milhões, naturalmente – embora fosse impossível, naquele momento, qualquer levantamento estatístico populacional numa Europa em caos.

Teriam aqui as organizações sionistas um quadro claro da situação, fruto de uma boa relação com os grupos judaicos locais? Um ano antes do aparecimento do livro de Irving, o historiador alemão Joachim Hoffmann, que trabalhou várias décadas para o departamento de história do exército alemão, descobriu que já em dezembro de 1944, o chefe da propaganda soviética, o judeu Ilja Ehrenburg, tinha espalhado na imprensa estrangeira o número dos seis milhões8.

Wilhelm Höttl, por sua vez, encontrou um artigo na Reader’s Digest, ainda de fevereiro de 1943, onde há menção sobre o “assassinato de no mínimo três dos seis milhões de judeus ameaçados por Hitler“. Para mostrar que isso não era simplesmente um caso isolado, seguem algumas manchetes do jornal The New York Times, referente aos anos de 1942 e 19439:

13 de dezembro de 1942, pág. 21:

… relatórios confirmados indicam 2.000.000 de judeus, os quais foram massacrados por meio de todo tipo possível de barbárie satânica, e dentro do plano de extermínio completo dos judeus que os nazistas estão conseguindo pela metade. O abate de um terço da população judaica na área de domínio de Hitler(3×2.000.000=6.000.000) e a ameaça de abate de todos é um Holocausto sem paralelo.

20 de dezembro de 1942, pág. 23:

O que acontece com os 5.000.000 de judeus da Europa ocupada pelos alemães, os quais estão ameaçados de extermínio (…) o número de vítimas judias alcançou agora a cifra assustadora de 2.000.000 (…) 5.000.000 estão ameaçadas do perigo do extermínio (….)(2+5=7 milhões)

2 de março de 1943, pág. 1, 4:

(Rabino Herz disse) para salvar os seis milhões de camaradas judeus (….) que consigam se salvar do abate nazista (….).

10 de março de 1943, pág. 12:

(….) 2.000.000 de judeus que foram assassinados na Europa. (….) Os 4 milhões que estão lá para morrer, estão sendo assassinados segundo um plano”(2+4=6 milhões)

20 de abril de 1943, pág. 11:

Dois milhões de judeus foram liquidados (….) outros cinco milhões estão ameaçados (….)(2+5=7 milhões)

Portanto era presumível que se soubesse que seis milhões estavam ameaçados, pois com bastante segurança conhecia-se quantos judeus moravam naquela região ocupada posteriormente pelas tropas alemãs.

Nós poderíamos então concluir que a origem do número dos seis milhõesnão se firma na comprovação do número de vítimas, mas sim na hipótese de que todos os judeus que se encontravam na área dominada pelo Terceiro Reich estavam ameaçados de morte.

Curioso, porém, é uma citação de uma época na qual os judeus estavam sob o jugo de Hitler e ninguém imaginava uma situação de guerra e uma vitória da Alemanha, a saber, no ano de 1936.

Naquele ano de 1936, o presidente da Organização Sionista Mundial, Chaim Weizmann, foi ouvido pela Comissão Peel a respeito de uma divisão da Palestina. Em seu discurso, Weizmann afirma que “seis milhões de judeus se encontram na Europa, em uma espécie de cárcere, e não são desejados10. Aqui nós temos novamente um quadro aproximado da população judaica na Europa, incluindo a antiga União Soviética. Em 1936 na Alemanha e na Polônia existia uma política anti-semita, sendo que ambas as nações abrigavam cerca de três milhões e quinhentos mil judeus. O restante, dois milhões e meio mencionados por Weizman, não estavam em qualquer forma de prisão de judeus. Entretanto pode-se argumentar que os judeus não estavam totalmente livres, já que a repressão fazia parte da política totalitária da antiga União Soviética, mas não particularmente contra os judeus. Para aqueles que se apressam a justificar o pleito de Weizmann devido a qualquer repressão na antiga União Soviética, isto não pode servir de argumento diante da Comissão Peel. Caso essa repressão fosse motivo para a obtenção da Palestina, ou seja, para remover os palestinos ali estabelecidos há milhares de anos, o que fazer então com os cristãos, ucranianos, alemães, georgianos, mongóis, entre outras minorias também reprimidas na União Soviética? Também os distribuir por uma área palestina? Ou em alguma outra parte do mundo árabe?

O fato é que Weizmann utilizou o impressionante número dos seis milhões de judeus reprimidos para atingir o seu objetivo político, o seu objetivo sionista. Como nós sabemos, ele não conseguiu isso naquela época.

Como podemos verificar, Weizmann não mencionou um holocausto, ou qualquer outra política de extermínio, e muitos até poderiam alegar que o termo surgiu somente durante a guerra. Mas qual guerra seria essa? A resposta correta é a Grande Guerra de 1914 – 1918, conforme a pesquisa do autor norte-americano Don Heddesheimer que trouxe à luz certos fatos interessantes11.

Desde de 1915, vários artigos da imprensa americana noticiavam que os judeus da Europa Central e Oriental estavam sofrendo com a Guerra Mundial. Desde 1919 e até 1927, foram feitas intensas campanhas promovidas por organizações judaicas, arrecadando fundos a título de doações, com o objetivo de “salvar a vida de cinco ou até seis milhões” de judeus europeus.

Vejamos algumas manchetes estampadas no jornal The New York Times:

4 de dezembro de 1926:

…. cinco milhões de pessoas passam fome (….) a metade dos judeus do mundo sofrendo de fome e doenças.

21 de abril de 1926:

Este é o grito proveniente dos judeus europeus (….) um povo inteiro está morrendo (…). Milhões de judeus estão em uma armadilha na Europa (…).

9 de janeiro de 1922, pág. 19:

(….) terror impronunciável e um crime interminável (…), que foi cometido contra o povo judeu. Dr. Hertz esclareceu que 1.000.000 de pessoas foram massacradas e que 3.000.000 de pessoas na Ucrânia foram obrigadas a vivenciar o terror do Inferno ao longo de três anos (….).

7 de maio de 1920, pág. 9:

(…) sofrimento judeu na Europa Central e Oriental, onde seis milhões estão expostos à fome, às epidemias e à fome (…).

5 de maio de 1920, pág. 9:

Para salvar a vida de seis milhões de mulheres e homens na Europa Oriental do extermínio através da fome e doenças.

5 de maio de 1920, pág. 19:

Seis milhões de famintos e enfermas almas da Europa em guerra lançam um apelo a nós (…).

3 de maio de 1920, pág. 11:

Sua ajuda é importante para salvar a vida de seis milhões de pessoas na Europa Central e Oriental.

3 de maio de 1920, pág. 12:

Na Rússia e em países vizinhos, os judeus foram colocados em uma situação especial de perseguição insana (…) Estima-se hoje que mais de cinco milhõespassam ou estão em vias de passar fome, e podem padecer sob uma epidemia de tifo que já atinge as populações vizinhas.

12 de novembro de 1919, pág. 7:

(….) inacreditável e trágica miséria, fome e epidemias para cerca de seis milhões ou a metade da população judaica da Terra (…) um milhão de crianças e cinco milhões de pais e idosos.

31 de outubro de 1919, pág. 582:

Do outro lado do oceano clamam por ajuda seis milhões de homens e mulheres (…) seis milhões de pessoas. (…) Seis milhões de homens e mulheres morrem (…) em um iminente holocausto da vida humana (…) seis milhões de homens e mulheres famintos. Seis milhões de homens e mulheres morrem (…)

Aqui temos pela primeira vez na imprensa, em 1919, e de forma bastante perceptível, o vínculo do número de “seis milhões” com o termo “Holocausto“.

Continuando com manchetes do jornal The New York Times, temos ainda:

26 de outubro de 1919, pág. 1:

…. 4.000.000 de judeus famintos na Europa Oriental.

29 de setembro de 1919, pág. 7:

…. 6.000.000 de almas ou a metade da população judaica mundial em um estado inacreditável de miséria, fome e de saúde.

10 de agosto de 1917:

Alemães deixam judeus morrerem. Mulheres e crianças de Varsóvia passam fome (….) mães judias, mães da misericórdia, estão felizes em ver seus filhos morrerem; pelo menos eles estão livres do sofrimento.

Já aqui temos o vínculo da alegada desgraça dos judeus com o povo alemão. Mas tal manchete permanece na verdade como uma exceção, pois, na realidade, vários setores alemães durante a guerra e depois, ajudaram a distribuir o dinheiro das organizações judaicas para a Europa Oriental. A vinculação de supostos atos de barbárie dos alemães fazia parte da propaganda de guerra, a qual cessou logo após o término do conflito.

Desde então, assuntos pertinentes giravam em torno de supostas perseguições nos países do leste europeu. Neste contexto, o jornal The New York Times de 23 de maio de 1919, na página 12 relata um suposto Pogrom contra os judeus poloneses, que traz consigo uma certa ironia do destino. A redação do próprio jornal duvidava da veracidade do artigo:

Foi mencionado que alguns destes artigos provêm de fontes alemãs ou foram aumentadas por elas, com o objetivo claro de desacreditar os poloneses perante seus aliados, com a esperança de que a Alemanha tire vantagem disso. A Alemanha pode estar envolvida na divulgação deste boato, pode tê-lo inventado, embora teria sido um terrível golpe baixo envolver tantas pessoas em tal objetivo.

Vemos que segundo o jornal The New York Times, afirmações falsas sobre o sofrimento judeu devem ser vistas como terríveis.

Continuando a seqüência de manchetes:

22 de maio de 1916, pág. 11:

Do restante de dois milhões e quatrocentos mil judeus na Polônia, Lituânia e Letônia, permanecem 1.700.000 e, deste total, encontram-se 700.000 em estado de permanente emergência.

Em 1916, apareceu um livro intitulado The Jews in the Eastern War Zone(Os judeus na zona oriental da guerra) que tratava do suposto sofrimento dos judeus europeus. Foram distribuídos vinte e cinco mil exemplares deste livro para pessoas importantes da vida pública americana12. Nele afirma-se que a Rússia teria transformado uma vasta região em um gigantesco campo de prisioneiros, onde seis milhões de judeus seriam obrigados a viver na miséria, sob a permanente ameaça de massacres, sem direitos e sem assistência social13:

Uma espécie de prisão com seis milhões de prisioneiros, vigiada por um exército de guardas corruptos e brutais.

The Jews in the Eastern War Zone foi citado exaustivamente por outras fontes, como por exemplo o jornal The New York Times. As manchetes apresentadas até aqui sobre o sofrimento de seis milhões de judeus durante a Primeira Guerra Mundial, provêm do primeiro ano da guerra:

14 de janeiro de 1915, pág. 3:

Existem no mundo atualmente cerca de 13.000.000 de judeus, dos quais mais de6.000.000 vivem no coração da zona de guerra; judeus cujas as vidas estão por um fio e estão expostos hoje a todo o tipo de sofrimento e penúria. (….)

Voltando ainda mais um pouco no tempo, temos a declaração do rabino Stephen Wise durante um Congresso judaico nos EUA14:

Existem 6.000.000 de argumentos vivos, sangrentos e sofridos, para o sionismo.

Como podemos perceber, parece haver uma mística em torno do número dos seis milhões de judeus; uma espécie de obsessão. De fato, tal número, segundo Benjamin Blech, refere-se aos relatos de uma antiga profecia judaica, a qual reza que o retorno dos judeus à Terra Prometida se daria após a perda de seis milhões de pessoas15.

Não nos devemos esquecer que mediante a Declaração Balfour, o território palestino foi prometido aos judeus pelos ingleses, ainda durante a Primeira Guerra Mundial. A propaganda resultante foi aquela aqui apresentada e tomamos por base o jornal The New York Times, pois ele também gozava àquela época do mesmo prestígio que goza atualmente, e não temos conhecimento de nenhum outro jornal cujo arquivo fora minuciosamente pesquisado. Finalmente, vale mencionar que este jornal já era propriedade de judeus e, neste contexto, citamos o famoso chefe de redação naquela época, Max Frankel16:

Nesta atmosfera (do anti-fascismo) assim como no sentimento de culpa dos não-judeus devido à exploração do Holocausto, encorajaram-se os judeus de minha geração a se imporem culturalmente, olharem com orgulho suas origens, encontrar inspiração literária em suas raízes e se deleitar com a ressurreição de Israel. (….)

Ao invés de me dedicar aos ídolos e paixões, voltei-me para as palavras e argumentos, fazendo parte de uma invasão verbal e desavergonhadamente judaica da cultura americana. Eu estava particularmente satisfeito ao ver que o pior pesadelo dos anti-semitas tinha se tornado verdadeiro: Inspirados em nossa herança de guardiões do Livro, criadores das Leis e contos de história superiores, os judeus na América conseguiram uma influência substancial nas universidades e em todos os meios de comunicação.

(….) Dentro de poucos anos após Punch (“Punch” Sulzberger, proprietário do NYT) obter o posto de chefe, iniciou-se uma era onde não somente o Chefe de Redação – A. M. Rosenthal, mas sim todos os redatores, assinalados com destaque no jornal, eram judeus. Na sala dos fundos da redação, essa situação era descrita, sob a aura de um copo de vodka, como sendo uma situação que carecia de diplomacia, mas que mudou gradualmente, sem cotas para cristãos. (….)

O Times não padeceu por muito tempo sob o seu secreto desejo em superar ou negar as suas raízes. A parcialidade fica claramente demonstrada aqui. A origem do cabalístico número de seis milhões — o qual ainda hoje é utilizado como “número simbólico” até por historiadores de renome em relação ao “holocausto” da Segunda Guerra Mundial17 — não se baseia originalmente em nenhum estudo científico sobre as perdas da população judaica. Não devemos nos surpreender, portanto, que estatísticos mundialmente reconhecidos notem que o número real de vítimas, está ainda muito longe de ser esclarecido18.

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