Do Pragmatismo Político: A “lista secreta” de artistas e intelectuais da ditadura argentina

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Argentina encontra 1500 arquivos secretos da ditadura com “lista negra de artistas”. Conheça alguns famosos que fizeram parte do grupo de “perigosos ao regime”

 

A Argentina divulgou na última semana que foram encontrados arquivos secretos da ditadura militar no país (1976-1983). Chamada de “lista negra”, os documentos apontam artistas e personalidades como “perigosos ao regime”. Julio Cortázar, Héctor Alterio e Mercedes Sosa – uma das cantoras mais influentes do século XX – foram vigiados pelo governo. No total, são 1500 documentos inéditos, 280 deles com as transcrições de gravações das reuniões da Junta Militar que governou o país entre 1976 e 1983.

O ministro da Defesa, Agustín Rossi, afirma que a documentação foi encontrada na semana passada acidentalmente durante a limpeza do edifício Condor, em Buenos Aires, onde funcionam dependências da Força Aérea argentina. “Encontramos seis pastas originais das atas da junta militar, datadas de 24 de março de 1976 até 10 de dezembro de 1983. São todas as atas secretas da junta militar”, disse Rossi.

Segundo informações da Agência Efe, o ministro detalhou que os documentos estavam agrupados em 1.500 pastas para guardar papéis dentro de duas caixas fortes e dois armários. Rossi destacou que é a primeira vez que se tem acesso a material deste tipo, que informa desde o dia do golpe militar até o dia em que a Argentina retornou à democracia, há trinta anos.

Entre os documentos estão todas as atas secretas das juntas militares, um total de 280 originais nos quais os generais explanam suas posições sobre diferentes assuntos. O ministro ressaltou que a documentação conta com a “vantagem” de estar “ordenada, classificada e até ter um índice temático”.

Também foram encontrados três livros de recepção, onde estavam as comunicações para as forças militares, como pedidos de famílias que queriam saber do paradeiro de seus filhos desaparecidos.

Proibidos até o fim

Quarenta e seis pessoas, entre elas 22 jornalistas, seguiram na lista de pessoas proibidas até o fim da ditadura, em dezembro de 1983, mas listas anteriores chegaram a conter 350 nomes.

Entre os proibidos até o fim do regime apareciam os jornalistas Jacobo Timerman, Andrés Alsina Brea e Rafael de San Martín, que é identificado como o “jornalista-oficial do Exército de Cuba”, o artista plástico brasileiro Juan Scalco, o escritor Julio Cortázar, o músico Miguel Angel Estrella, o cineasta Octavio Getino, o escritor Eduardo Galeano, entre outros.

Os atores Alfredo Alcón, Héctor Alterio, Luis Brandoni, Federico Luppi, Lautaro Murúa, Norma Aleandro, Marilina Ross e Nacha Guevara foram alguns dos que apareciam na primeira lista encontrada, que data de abril de 1979 e contém 285 nomes, todos sob a classificação de “Fórmula 4″.

Entre eles também estavam os jornalistas e escritores Osvaldo Bayer, Tomás Eloy Martínez, Dalmiro Sáez, David Viñas, Rodolfo Puiggrós, Francisco ‘Paco’ Urondo (desaparecido) e músicos como Osvaldo Pugliese, Mercedes Sosa, Horacio Guarany e Atahualpa Yupanqui, além do pintor Antonio Berni.

 

com AFP, EFE e Opera Mundi

 

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