Vargas deporta a mulher judia de Luiz Carlos Prestes para Alemanha nazista

Após ser presa com marido, Olga, grávida de 7 meses, embarca para Hamburgo com a chancela do STF. Há 80 anos, Anita, sua filha, nascia numa prisão do governo Hitler
No dia 23 de setembro de 1936, a judia alemã Olga Benário deu adeus ao Brasil. Presa com o marido Luiz Carlos Prestes em 5 de março do mesmo ano, ela foi deportada, embarcou no navio La Coruña rumo à cidade de Hamburgo. Nem o fato de estar grávida impedira o presidente Getúlio Vargas, que assinara decreto de expulsão no dia 28 de agosto, de entregá-la à Alemanha Nazista de Adolf Hitler. Olga ainda apelou para ter a filha no Brasil. Sem sucesso. Acabou morrendo num campo de concentração, aos 34 anos, em abril de 1942.
A história da mulher do líder comunista virou livro e filme. Não é para menos. Olga chegara ao Brasil em abril de 1935, acompanhando Prestes, que planejava organizar uma revolução armada por aqui. Fingiram ser um casal de portugueses e permaneceram na clandestinidade. Em novembro daquele ano, explode a Intentona Comunista, prontamente reprimida pelo governo Vargas, que inicia uma repressão feroz aos opositores.
Após a prisão do casal, começa então o processo para deportá-la. Da Europa, a mãe e a irmã do líder comunista articulam uma campanha para manter Olga no Brasil — temiam por seu destino na Alemanha nazista. Olga recorre então à Corte Suprema dos Estados Unidos do Brasil — antigo nome do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, em 17 de junho, os ministros confirmam a ordem de expulsão dada por Vargas.
No recurso, o advogado chegou a dizer que Olga errou ao participar do levante comunista e que, por isso, deveria cumprir pena no Brasil. “O decreto de expulsão será a sentença de morte proferida ao mesmo tempo contra a mãe e o filho”. No texto, ela alega ainda estar disposta a “curar Prestes da psicose bolchevista”.
O apelo foi em vão. Ao chegar à Alemanha, Olga, então com sete meses de gestação, foi levada para uma prisão feminina da Gestapo, onde nasceu sua filha, Anita Leocádia, em 27 de novembro de 1936. De lá, passou pelos campos de concentração de Lichtenburg, Ravensbrück e Bernburg, onde foi assassinada na câmara de gás em 23 de abril de 1942.
Anita Leocádia Prestes nasceu em 27 de novembro de 1936 na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista. Afastada da mãe aos 14 meses de idade, antes de vir para o Brasil, em outubro de 1945, viveu exilada na França e no México, com a avó paterna, Leocadia Prestes, e a tia Lygia.
Assim como seus pais na Era Vargas, a filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes foi perseguida pela ditadura militar instalada no país a partir de 1964. Com isso, no início de 1973, ela se exilou na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Julgada em julho de 1973, foi condenada à pena de quatro anos e seis meses pelo Conselho Permanente de Justiça para o Exército brasileiro. Em dezembro de 1975, Anita Prestes recebeu o título de doutora em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ciências Sociais de Moscou.
Em setembro de 1979, com base na primeira Lei de Anistia no Brasil, a Justiça brasileira finalmente extinguiu a sentença que a condenou à prisão. Logo após, ela voltou ao Brasil.Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Anita Prestes também foi professora de pós-graduação em História da UFRJ.

http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/getulio-deporta-mulher-judia-de-luiz-carlos-prestes-para-alemanha-nazista-10129046#ixzz4TuLghoSR

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